| |
| |
 |
|
Donzela em croché
Joana Vasconcelos colocou uma gigante toalha de croché na maior fachada de Santa Maria da Feira: o seu castelo!
A ideia de Joana Vasconcelos, 36 anos, ao propor a Donzela no Castelo de Santa Maria da Feira, que ela define como a «varanda da cidade», foi precisamente protegê-la na poderosa construção e, ao mesmo tempo, fazer dela uma «espectadora» das ruas onde, de 17 a 19 de Maio, decorreu o 7º Imaginarius Festival Internacional de Teatro de Rua.
Tecida por 500 mulheres, esta é, como todas, talvez, uma donzela feita de muitas partes. A «super colcha» de croché tem oito metros de comprimento e é composta de 12 toalhas, por sua vez feitas de dezenas e dezenas de rosetas.
Foi Joana quem, num encontro em Santa Maria da Feira, apresentou à comunidade local esta ideia de tecer rosetas, que por sua vez se iam juntar em «colchas modelares» para depois de «assemblarem» numa «mega colcha». Em centros de dia, lares de idosos, ranchos folclóricos e escolas, senhoras e crianças aderiram à ideia e às suas regras: pegaram na linha branca de algodão (Ancora nº 6) e nas agulhas nº dois ou três e juntaram-lhes a sua sabedoria.
A opção do croché marca a fusão de tradição e contemporaneidade. Para perceber a ligação de Joana Vasconcelos ao croché, basta dar uma volta pelo atelier da artista, ou ter acompanhado o seu percurso. A ideia é fixar-se em objectos que tenham uma «relação de poder, que precisem de ser protegidos ou apanhados, através de uma rede, e ao mesmo tempo precisem de ser decorados». O Castelo de Santa Maria da Feira e a sua futura moradora são o exemplo máximo.
Note-se que esta Donzela também sonha: quando escurece, o seu sono torna-se numa bela miragem. «Ela à noite tem uma luz negra e fica com um ar fantástico que bate muito certo com o Castelo», observa Joana.
Depois do Imaginarius, a Donzela, que pertence à Câmara de Santa Maria da Feira, partiu para a Bienal de Veneza, ficando à varanda do Palazzo Nani Bernardo Lucheschi.
|
|


|
|
 |
|